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O Teórico Prático na Abordagem Fenomenológico-Existencial
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Atualmente
a Psicologia dispõe de um conjunto vasto e rico de teorias, tendo
assim o resultado de seu conhecimento cada dia m ais distanciado de hipóteses
isoladas e do reducionismo de práticas empêrico-dedutivas.
Isso se dá pela necessidade de fortalecer o nêvel teórico,
buscando uma prática adequada, modificando assim o quadro de dimensão
utilitária. Necessita cada vez mais de uma ética onde os
dois lados da relação -profissional/cliente - não
sejam mutilados por uma visão reducionista distorcida e injusta
acerca do homem. Busca
como critério de verdade a prática da teoria, mas não
como teoria aplicada, e sim como prática teorizada, sendo dinâmica,
inovadora e responsável, podendo assim construir a qualidade de
sua condição epistemológica. O
uso indiscriminado de técnicas dissociadas de um corpo teórico
fidedigno, muitas vezes consequência da aceitação
questionável e incondicional de "idéias novas",
pode levar a psicologia, como qualquer outra ciência, a um caminho
de pensamentos e procedimentos mistificadores e obscurantistas, tendo
uma visão limitada pragmatista voltada apenas para seus resultados
imediatos. Construir
uma prática sobre alicerces teóricos e epistemológicos
é, na verdade, uma tentativa de caminhar em busca de uma praxis
madura, consciente e orientada para o crescimento, saúde e bem
estar de quem busca ajuda profissional. Há
muito tempo percebe-sé uma cisão entre o teórico
e o prático. O pesquisador fica isolado na sua torre de marfim,
descobrindo articulações teóricas belêssimas
e sensêveis. Quando, destas articulações, o leitor
toma conhecimento, a emoção o invade. Enquanto o prático
atua através do tato, e suas atuações acabam por
trazer resultados, mas vez por outra sente-se inseguro e pergunta-se –“sou
mago?". O
vilão de toda essa história é a cisão entre
o fazer e o saber. Daê a proposta de conscientização
da necessidade de se construir a ponte do teórico como prático
e desta forma levar segurança ao prático e realidade ao
teórico. Esta
proposta é um convite à reflexão e desvelamento das
várias possibilidades que a teoria propicia ao conhecimento psicológico
do homem, esvasiando-se assim a idéia de que apenas restringe,
sendo forma para encaixar tanto profissional quanto cliente. Dá
margens a atuações criativas e adequadas à necessidade
da situação, propiciando ao profissional correr riscos de
forma ética e madura. Contudo,
tal proposta suscita constantes questionamentos que acarretam angústia.
E a cada instante dado, para responde-los depara-se com outros mais, e
assim necessitando um maior aprofundamento, ou seja, um maior compromisso
com o que se acredita. Necessita, então, de grande dose de motivação
e perseverança, espêrito de aventura para alcançar
as intempéries das profundezas do conhecimento, chegando, assim,
às coisas mesmas. é claro que para isso é imprescindêvel
agir energicamente contra o pragmatismo imediatista, que toma o lugar
do processo onde a crença nas soluções fáceis
atua como verdadeiro bloqueador mental, empobrecendo a visão e
o trabalho profissional. Finalizando,
a prática teorizada é uma das possibilidades de que o profissional
de psicologia dispõe. Cabe a ele reconhece-Ia como tal, escolhe-Ia
e identificar dentro de si as ferramentas que possui para viabiliza-la,
construindo desta forma seu aporte substancial, possibilitando assim um
encontro autêntico entre sua razão e sua prática. BIBLIOGRAFIA MARIA,
Madre Cristina. Psicologia Cientêfica Geral. Agir, Rio de Janeiro,
1965. RICH,
John Martin. Bases Humanistas na Educação. Zahar,
Rio de Janeiro, 1975. KIERKEGAARD,
Soren. Mi punto de vista. El Libio, Aguilar., Madrid, 1987. GUILES,
Thomas Ransom, História do Existencialismo e da Fenomenologia.
E.P.U.,São Paulo, 1989. Informativo
do Conselho Regional de Psicologia. Y região, março/ 1994.
Maria Bernadete Medeiros Fernandes Lessa |