IFEN - Instituto de Psicologia Fenomenológico-Existencial do Rio de Janeiro - CRPJ 05/359

Resumo

O objetivo deste artigo é mostrar uma compreensão fenomenológico - hermenêutica da experiência daqueles que pensam em suicídio. Iniciamos este estudo assumindo uma atitude antinatural frente ao fenômeno, isto é, nos esquivando das interpretações que naturalmente se estabelecem sobre o suicídio, tais como doença, sofrimento, desespero, dentre outras. Essas características atribuídas àquele que pensa ou consuma o ato de pôr fim à vida são marcantes em nosso horizonte histórico. Desse modo, tanto os profissionais de saúde quanto os leigos tendem a tomá-las como características positivas que identificam uma pessoa como potencialmente suicida. Ao assumirmos uma atitude antinatural frente ao fenômeno do suicídio, foi possível recuar frente às posturas naturais e compreender que, por se tratar de um fenômeno e não de um fato, o ato de pôr fim à vida só poderá ser apreendido na experiência mesma daquele que pensa em finalizar a sua vida.

Keywords: Suicídio; fenomenologia; hermenêutica; psicologia clínica.

Introdução

Pensar sobre o suicídio sob o ponto de vista fenomenológico-hermenêutico exige que nos desloquemos da perspectiva moralizante que abarca tudo que se pensa e se diz do ato de pôr fim à vida. Para poder sustentar uma modalidade não moralizante do fenômeno suicídio, precisamos destruir fenomenologicamente as concepções correntes sobre o ato de pôr fim à vida, para, dessa forma, nos aproximarmos daquele que diz não mais querer viver sem uma moral normativa que estabeleça o que é bom e mau, normal e patológico. Precisamos, para tanto, nos aproximar do fenômeno sem partir de premissas acerca do suicídio, tais como: doença, patologia, sofrimento, desespero, controle.

Os estudos em geral sobre suicídio carregam uma postura moral comprometida com a ciência natural, partindo da noção de que a vida é um bem supremo e por esse motivo deve ser resguardada a qualquer preço; e, ainda, dado que a vida é curta, ela deve acontecer em uma atmosfera de prazer e felicidade. Com essas máximas, muitos estudos sobre o tema se desenrolam de modo a buscar as causas do suicídio e a estabelecer estereótipos e, portanto, poder identificar o suicida para colocar em prática a prevenção ao comportamento suicida. No entanto, se por um lado os estereótipos ajudam a identificar, por outro lado corre-se o risco de cair em equívocos ao se prejulgar comportamentos.

Estereótipo diz de um conceito infundado sobre algo que carrega uma força depreciativa. O problema do estereótipo é que esse pode levar à generalização, à exclusão, à xenofobia, à intolerância, etc. Estereotipamos as pessoas quando fazemos generalizações a partir da aparência, comportamento, vestimenta, cor de pele, nacionalidade dos indivíduos. Estereotipias também ocorrem com relação às pessoas que denominamos como tendo um potencial suicida - com isso ao lançarmos mão de algo como perfil suicida – assumimos uma posição moralizante sobre as pessoas, mesmo que afirmando categoricamente que não temos nenhum preconceito a respeito.

A ciência ao falar de suicídio, imediatamente, refere-se a um ato humano, e trata essa ação ou intenção do homem como algo que se deve combater ou prevenir, assim como se combate o mosquito da dengue ou se previne doenças transmissíveis. Disso pode, muitas vezes, decorrer o isolamento e a esquiva daquele que pensa em pôr fim à vida dado o temor em ser considerado doente. Essas pessoas, muitas vezes, relatam que se sentem incompreendidas e solitárias.

Atualmente, a ideia de querer suicidar-se, em 90% dos casos, está vinculada a uma patologia tal como depressão ou esquizofrenia, assim acabamos estereotipando aquele que vê no desejo de morrer um exercício pleno de sua liberdade. Como estamos totalmente imersos no mundo moderno onde prevalece a tecnocracia, acreditamos no suicídio como algo de uma ordem patológica, mas nem sempre o suicídio foi compreendido dessa forma, ou seja, em uma conotação moralizante. A posição da ciência com relação ao ato de pôr fim à vida não é hegemônica. Muitos estudiosos tratam do fenômeno sem um cunho moralizante, como podemos constatar na teologia, na filosofia e na literatura - todos esses saberes não compartilham com a posição científica natural.

A questão que aqui se impõe é: como proceder de modo a recuar frente às demandas valorativas com relação ao ato de pôr fim à vida? Sabemos que muitos filósofos e escritores não se deixam tomar pelas morais vigentes, por esse motivo é que recorreremos ao que pensam alguns filósofos e escritores a respeito do tema para então podermos nos deslocar do pensamento hegemonicamente moral e, portanto estereotipado, acerca do suicídio.

O suicídio como exercício de liberdade

Segundo Minois (1995) desistir da vida, no mundo hebraico entre 1750 aC e 539aC, no Antigo Testamento, apareceu de forma estrita e neutra, denotando atos de coragem em Saul, Sansão, Eleazar, Razis, Aitofel, Ptolomeu e Makron. No cristianismo arcaico, podemos citar o Apóstolo Paulo entre 5d C e 10d C, que considera o sair da vida terrena como um caminho para um mundo melhor. Os latinos Cícero (106aC- 43aC), Virgílio (70aC – 10aC), Séneca (4aC – 65dC) e Tácito ( 55dC – 120dC) referiam-se ao ato de decidir por não viver como uma partida precipitada, saída tranquila e marcha calma. Eles compreendiam esse ato como mais tranquilo do que morrer, querendo continuar a viver. Também, não aparece nesses escritores o caráter de estigma que ganha corpo quando a palavra suicídio passa a ser utilizada nos casos em que alguém voluntariamente decide terminar com sua vida.

Hume (1755/1998) já defendia que a filosofia atua como antídoto as superstições científicas sobre o suicídio e afirmava: “Um homem que se retira da vida não faz mal nenhum a sociedade, apenas deixa de produzir” (p. 131). E, dito isso, esse homem é obrigado a fazer um pequeno bem, continuando a viver, mesmo que para ele isso seja um grande mal? Afinal, por que uma pessoa não pode desfazer-se de sua existência quando a vida deixa de ser carga para ser sobrecarga?

Camus (1942/2008) em o Mito de Sísifo, diz que o suicídio é o verdadeiro problema sobre o qual a filosofia deveria se inclinar com seriedade. A filosofia pretende saber sobre a existência, tenta fazer isso procurando as categorias que a sustenta. No entanto, ao fazê-lo, acaba por se afastar mais daquilo que afinal constitui o sentido do existir. Camus nos diz que o ato de querer pôr fim à vida, remete-nos, imediatamente, a vida e a morte, ou seja, os dois limites intransponíveis da existência do homem. Querer pôr fim à vida traz em seu cerne pensar se a vida merece ou não ser vivida. Esse mérito diz respeito ao compromisso que alguém estabelece com a sua própria vida.

Na publicação de Courant, (1982) com o título Entre o amor e os estados de paixão: conversa com Werner Schroeter [Entrevista feita por Michel Foucault] , Schroeder diz que “Olhar de frente a morte é um sentimento perigoso e anarquista contra a sociedade estabelecida. A sociedade joga com terror e o medo”. Foucault (Courant, 1982) completa: “Não somente se diz que não é bom se suicidar, mas se considera que se alguém se suicida é porque estava muito mal” (p.7). Esse diálogo chama à atenção para o modo como as determinações moralizantes e normativas de um determinado horizonte histórico, mundo, encobrem totalmente a possibilidade de se pensar mais demoradamente sobre o fenômeno.

Sabemos que Foucault tentou suicidar-se em diferentes ocasiões, nessa entrevista ( 1981), ele deixa claro o sentido que ele articulava com relação ao dar fim à vida: “Sou verdadeiramente partidário de um combate cultural para re-ensinar às pessoas de que não há uma conduta que seja mais bela, que, por conseguinte, mereça ser refletida, com tanta atenção, quanto o suicídio” (p. 7- 8).

Podemos ver exemplos de uma lida mais tranquila com o suicídio na literatura, como aconteceu, por exemplo, com a história de Raphaël de Valentin, retratada por Balzac (1831/2008) em A Pele de Onagro. Raphaël, em desespero por ter fracassado no amor e também profissionalmente, pretendia dar fim à sua vida. Encontrava-se prestes a cometer o ato, quando recebeu um milagroso presente das mãos de um velho senhor e começou a lutar para fazer perdurar a sua vida. Machado de Assis (1882/2008) também nos mostra em To be or not to be um jovem, que estando certo que daria fim a sua vida, acaba desistindo pelo fato de ter se apaixonado por uma moça. Por fim, a moça termina o namoro, ele perde o emprego, e neste momento, ele nem se mata e nem se lembra de fazê-lo.

A posição não moralizante acerca do suicídio também pode ser encontrada em outros saberes. Cattapan (2012), estudioso da psicanálise, critica a proposta de criação de uma rede de controle com fins à prevenção e defende o abandono de uma atitude moralizante com base em uma psicopatologização da vida e da biopolítica, que quer o controle da vida e da morte. Afirma que a lida com o suicídio é uma questão de tolerância. “O suicida não tolera a vida e a sociedade biopolítica não tolera o suicídio” (p.183).

Kusmanic (2010) chama a atenção para a pouca ênfase que os estudos sobre suicídio dão a experiência pessoal daquele que tenta suicidar-se. Feijoo (2016), em sua pesquisa sobre suicídio em uma postura fenomenológica - hermenêutica com base na proposta husserliana de aproximação do fenômeno, diz que antes de qualquer análise do fenômeno, devemos considerar a redução fenomenológica de modo a não tomar aquilo que aparece por meio de uma atitude natural, como veremos a seguir.

O suicídio sob o ponto de vista fenomenológico-hermenêutico

Husserl (1889/1973) refere-se à atitude natural como aquela em que o mundo é tomado como ontologicamente válido, em que a vida, em seus atos e interesses, é correlata às coisas dadas no mundo, e as coisas são tomadas como empiricamente dadas. A atitude antinatural diz respeito a um modo particular de visada das coisas, em que há um exercício do pensamento no sentido de suspender a atitude natural, reconduzindo o fenômeno ao seu campo intencional e compreendendo-o no seu campo de mostração. Trata-se de uma redução do empírico ao fenomenológico.

Se não assumirmos uma atitude antinatural, pautamos nossa investigação em premissas idealistas, naturalistas ou do senso comum e, então, nos distanciamos totalmente do ver fenomenológico. Ao nos apropriarmos de uma atitude antinatural frente ao fenômeno suicídio, podemos recuar frente às concepções hegemônicas de: saúde e doença; autêntico e inautêntico; bom e mal ‒ que recaem em uma moral ‒, bem como frente à noção de sofrimento e de desespero ‒ como aquilo que deve ser evitado a qualquer preço e que, muitas vezes, é interpretado como fundamento do ato de pôr fim à vida. É preciso recuar frente àquilo que é dado pelo mundo como verdade absoluta, isto é, suspender (Husserl, 1973) ou destruir (Heidegger, 1927/1998) as verdades estabelecidas como absolutas e incontestáveis.

Foi por meio da redução fenomenológica que atuamos em nossa pesquisa 1 na relação psicoterapêutica com aqueles que se encontravam indecisos com relação ao ato. Assim, pudemos proceder à descrição daquilo que estava em jogo naquele que pensava em suicídio. Alcançamos dessa forma a oportunidade de deixar que a experiência se explicitasse, ou seja, que a experiência aparecesse por meio de seu enunciado, abrindo um espaço para que surgisse o significado, o sentido, a motivação da intenção de finalizar a vida.

Para uma leitura fenomenologia hermenêutica sobre o suicídio, primeiramente cabe reconstruir o sentido de moral, sofrimento, desespero, causalidade e prevenção, tal como se apresentam nos estudos que guardam em seu cerne o caráter moralizante das ciências naturais, para depois passar a uma destruição das verdades estabelecidas. Vamos apenas nos demorar na destruição das verdades ditadas pelo nosso tempo pelo tema da moral.

Compreendemos moral no sentido de um conjunto de normas que prescrevem como o comportamento deve se dar para que o homem se conduza na vida de forma equilibrada, consciente, autêntica, saudável, boa, etc. Logo, a norma a ser seguida é a linha guia que dirá: o que é correto e o que é incorreto; o que é bom e o que é mau; o que é saúde e o que é doença. As verdades religiosas, jurídicas ou as teorias ‒ sejam da ciência ou do senso comum ‒ ditam, ao longo dos tempos, os critérios normativos dos preceitos morais.

A moralização aparece nas elaborações sobre o suicídio de acordo com o critério de utilidade que serve a um determinado tempo. Dito isso, vamos às diferentes determinações que posicionam a moral. As determinações cristãs aparecem com as noções de pecado, culpa, erro, falta de sentido; com as determinações jurídicas, o suicídio passa a ser crime e, portanto, legislado pelo Estado; com as científicas, a moralização provém dos critérios estipulados pelo modelo que diz respeito à categorização do comportamento suicida e sua consequente patologização em um modelo causal; no senso comum, a ideia de suicídio vem vinculada à coragem ou covardia, à loucura ou ao sofrimento.

No mundo em que nos encontramos, a moral vigente diz que suicidar-se não é bom, bem como aquele que se suicida estava muito mal. Uma vez que possamos ver o estar bem e o estar mal, o ter dor e o ter prazer como inerentes ao ato de existir, o sofrimento não mais será visto como a grande marca daquele que se suicida. Somente livre dos estereótipos, preconceitos e das superstições é que poderemos nos aproximar da experiência daquele que já ensaiou o ato de pôr fim à vida, uma vez que não estaremos mais tomados pela ideia de que na base de tal comportamento se encontra, necessariamente, o sofrimento patológico.

Se quisermos pensar o fenômeno do suicídio em uma perspectiva fenomenológica, precisamos tomar aquilo que acontece na esfera da existência do homem em termos de cooriginalidade. Dizer da cooriginalidade da consciência e do mundo significa não estabelecer um intervalo temporal na ordem dos acontecimentos. O sentido das coisas se articula em campos intencionais, e esses campos se mobilizam na transcendência, ou seja, no espaço temporalmente constituído como fluxo dinâmico e não linear. Portanto, teremos que sair da ideia vigente da relação causal entre os eventos e trabalhar com a ideia de motivos. Nessa lógica de pensamento, querer deixar de existir não pode estar relacionado com falta de sentido; uma vez que o sentido se dá em campos intencionais, não existir faz sentido, ou seja, a decisão de não mais viver remete aquele que decidiu a um horizonte em que não viver faz sentido. Por tudo isso, falaremos em termos de motivos e não de causas frente à decisão de pôr fim à vida.

Propomos, então, a prevenção em seu caráter de acolhimento, ou seja, abrindo um espaço de escuta compreensiva àquele que diz querer pôr fim a sua vida. Acreditamos que desta forma podemos deixar o outro totalmente livre para falar de suas intenções, sem estigmas, preconceitos ou estereotipias. Ao estar junto ao outro sem julgá-lo, avaliá-lo ou proibi-lo, abre-se um espaço para que o outro possa se demorar em suas questões (caso existam). Ao se demorar, ele pode reconsiderar sua decisão.

Situações de suicídio: da ciência à experiência

Traremos a seguir cinco situações em que os estereótipos consagrados pelos estudos científicos nos impedem de alcançar a experiência mesma daquele que se encontra indeciso em relação à continuidade de sua existência:

"Quero morrer" - o cansaço de viver como experiência que abre um espaço de interesse pela morte - trata-se de uma mulher de 105 anos que fora encaminhada para Núcleo de Atendimento Clínico porque dissera, na triagem, que estava cansada de viver e que seus familiares próximos já haviam morrido. Como na fala de Formosa apareciam elementos que apontavam para o fato dela querer morrer e como também se referia a familiares que já haviam morrido, além de ela viver sozinha apenas com a ajuda de alguns vizinhos, o diagnóstico foi de potencial suicida já que ela obtivera três pontos positivos do perfil suicida.

A questão que nesse trecho é discutida diz respeito ao suicídio entre idosos. Minayo e Cavalcanti (2010) realizaram um estudo sobre o suicídio em pessoas idosas com o objetivo de analisar os fatores associados ao risco de suicídio nessa faixa etária e chegaram as seguintes conclusões: trata-se da faixa etária em que há um maior índice de suicídios consumados, chegando ao dobro dos ocorridos em outras faixas etárias; é na população idosa onde há a maior proporção entre tentativas e consumação do ato, ou seja, em duas tentativas, um se consuma, isso tanto no Brasil, quanto nos Estados Unidos da América e na Europa Ocidental. Os autores dizem que ao investigar a literatura sobre o tema nas últimas décadas, encontraram nas ideações suicidas, pessoas referindo-se a “pensamentos de morte, desejos de morrer, cansaço de viver, falta de sentido da vida, tristeza com o rumo atual da própria existência” (p.752).

Se acompanhássemos essa senhora com base naquilo que diz a literatura sobre fatores de risco e ação terapêutica, ela seria colocado no rol dos que devem ser controlados de modo a impedir que o ato não se consume.

Com relação à ação terapêutica, Beasutrais (citado por Minayo & Cavalcanti, 2010) recomendam que os idosos participem mais de atividades sociais destinadas a terceira idade: “um sentido de conectividade social e de participação na vida comunitária parece ser protetiva contra o suicídio em pessoas idosas. Portanto, o desenvolvimento de uma rede social de suporte para essas pessoas deveria ser definido com prioridade” (p. 754). Siqueira (2012) nessa mesma direção recomenda que o idoso se integre nas relações afetivas e familiares e que aprenda novas tecnologias, estimulando o processo cognitivo. A nossa tarefa segue no sentido de nos determos mais demoradamente naquilo que a pessoa idosa tem a nos dizer, poderíamos assim deixá-la livre para que ela nos diga, sem medo e sem estereótipos, aquilo que está se passando em sua existência.

Os estudiosos do tema tentam encontrar os fatores de risco para assim poder atuar preventivamente. Os fatores de risco encontrados nos idosos são insinuação verbal que aparecem em comentários junto a amigos, familiares e companheiros; aquisição de uma arma; depressão; tensão; agitação; isolamento, morte do cônjuge, amigos e filhos; doença terminal; dores incontroláveis, medo de perder a dignidade.

Se quisermos assumir uma atitude fenomenológica frente à questão do desejo de pôr fim à vida que aparece em pessoas a partir dos 60 anos, precisamos primeiramente, desviar-nos das premissas posicionadas pela moral científica, ou seja, de que a vida é um bem supremo e por isso ninguém pode se desinteressar dela e caso esse desinteresse apareça, trata-se de algo de uma ordem patológica. Ao retirar do nosso campo de visada os estereótipos e preconceitos acerca do querer pôr fim à vida, podemos nos abrir para a experiência do outro de modo tranquilo e, assim, facilitar a expressão daquele que pensa em suicídio totalmente livre do medo de falar e ser diagnosticado ou até internado à revelia. No caso dessa senhora de 105 anos, ao nos posicionarmos em uma atitude de atenção cuidadosa, ela pode nos contar como há um momento em que chega a hora de se despedir, de sair da vida. No encontro com o psicólogo, Formosa insistia em referir-se ao cansaço que a tomava pelo fato de ter de viver e perguntava-se o porquê não tivera a sorte que tivera seu marido, irmãos e amigos que tinham morrido por volta dos 90 anos. Ela dizia que não se tratava de tristeza, desespero ou sofrimento - insistia em dizer que fora feliz, foi muito feliz em seu casamento, com seus filhos, e ressaltava que estava tranquila, mas cansada, afirmando : tudo se repete: nascimentos, batizados, casamentos, enterros, não gosto mais de participar dessas coisas, prefiro ficar quietinha no meu canto, na maioria das vezes, com minhas lembranças .

Formosa muitas vezes ao falar do modo como sua vida se encontrava, remetia-nos ao conto de Lispector (2008), intitulado Viagem a Petrópolis. Lispector conta os momentos finais da vida de Mocinha que, após ter perdido seu marido e seus dois filhos, sozinha no mundo, perambulava de casa em casa, morando de favor, mas sempre mantendo um sorriso e mostrando prazer em passear pelas ruas do Rio, como se tivesse vindo do Maranhão para fazer turismo na Cidade do Rio de Janeiro. Após ser abandonada em Petrópolis pela família que a mantinha em um lugar isolado da casa, Mocinha encostou-se a um tronco de árvore e morreu. Lispector trata do tema, deixando claro que chegara a hora de Mocinha, dado o modo que nos descartamos daqueles que não tem mais a produzir.

Quero ter a pele branca e o cabelo bom” – trata-se de uma criança com nove anos que é encaminhada ao atendimento clínico para acompanhamento psicológico a pedido da Escola e da Secretária Municipal de Educação com um pedido de urgência. Jujuba (Velasque, 2017), segundo a escola perturbava a ordem na sala de aula e negava-se a cumprir ordens. A psicoterapeuta marca um encontro com o responsável pela menina e a avó comparece ao encontro e diz que não entende o porquê de uma criança de nove anos tentar por cinco vezes cometer suicídio. A avó avisa à psicoterapeuta que ela terá dificuldades nesse atendimento a criança. Primeiramente, ela não entra sozinha no consultório e das outras vezes que foi acompanhada por psicólogos, havia arranhando-os e, também vomitava, gritava, desmaiava e já mordera a língua até sangrar. A senhora acrescenta que talvez esses tenham sido os motivos pelos quais os profissionais desistiram de Jujuba.

Salles e Lemos (2015) consideram que é preciso ampliar a discussão sobre o suicídio infantil e desmistificar a ideia de que crianças não cometem suicídio. Tema que merece mais pesquisas e debates para que se possa dar mais atenção ao fenômeno. Essas autoras afirmam que, segundo Souza (2010, citado por Salles e Lemos, 2015), crianças até nove anos morreram por suicídio entre os anos de 2000 e 2008. E, ainda, enfatizam que a criança que comete suicídio encontra-se em sofrimento psíquico e que é importante investigar os fatores familiares, escolares e comunitários envolvidos.

Kuczynski (2014) afirma que os estudos sobre suicídio infantil foram realizados por Casper entre 1788 e 1779, concluindo que o fenômeno não diz respeito a uma determinada época histórica e nem mesmo é localizado a uma determinada região. Segundo Shaffer e Fisher (1981, citado por Kuczynski, 2014):

Crianças e adolescentes que cometem ou tentam (sem êxito) o suicídio apresentam algumas características em comum: um terço dos que atingem seu intento apresentam histórico de tentativas anteriores, e quem executa essas tentativas pertence a um grupo de maior risco de suicídio bem sucedido a posteriori ( p.248).

De acordo com a literatura científica, o fato de Jujuba já ter tentado por cinco vezes o suicídio já é suficiente para considerarmos que a criança tem um perfil suicida. Interessa saber o porquê da menina não ter concretizado o ato. A literatura diz que muitas crianças não concretizam o suicídio por não conhecerem os métodos eficazes ou por não terem força para realizá-lo efetivamente. Então, temos que saber quais foram às técnicas utilizadas pela criança. Jujuba primeiramente tomou sabão em pó dissolvido em água, depois ingeriu água sanitária, ateou fogo aos braços e aos cabelos e, por fim fez uso de soda cáustica. Em todas essas ocasiões foi levada ao hospital de modo a poder recuperar-se dos danos provocados por suas ações.

Durante os atendimentos médicos ou psicológicos a criança se negava a relatar o como e o porquê do que havia feito. Diante do que lhe era perguntado, Jujuba permanecia em silêncio e não atendia as solicitações do corpo médico. Esses dois modos de se comportar da menina apontavam para mais dois indicadores de comportamento suicida: isolamento social e solidão.

A psicoterapeuta, Marta, imbuída de uma postura fenomenológica, optou por não considerar o que lhe haviam dito sobre Jujuba, tanto no relatório da escola como na entrevista com a avó. A psicóloga não quis pensar e ver Jujuba por categorias diagnósticas e nem por perfis, ela preferiu conhecer a criança na sua própria voz, por meio daquilo que Jujuba tinha a dizer. No momento em que Marta vai buscar Jujuba na sala de espera, a avó as apresenta e Marta pergunta a menina se ela quer estar com uma psicóloga, Jujuba prontamente reponde que não, mas que gostaria de brincar com Marta, na sala de brinquedos. A menina pega a mão de Marta e sobe com ela para a sala, não solicitando a presença da avó.

Ao chegar à sala, Marta percebe que a menina tinha feridas nos braços que tentava escondê-las com as mangas do vestido. Marta sensivelmente percebeu que a menina não queria falar sobre isso, caso contrário não esconderia as feridas. A psicoterapeuta resolveu brincar com a criança, sem fazer nenhuma menção as suas feridas. E a situação de silêncio que ocorrera com os profissionais de saúde se repetiam na relação de Jujuba com Marta e esta entendia que a menina preferia ficar com suas memórias ou recordações e assim ambas se mantinham no silêncio. Por várias vezes, Jujuba sentava-se ao lado de Marta e acariciava sua pele, brincava com seus cabelos. Certa vez, a criança disse que gostava dos cabelos de Marta, mas não gostava dos seus. Marta então acariciava a pele e os cabelos de Jujuba. Até que em certo dia Jujuba disse a Marta: sabe, tia, nunca quis acabar com minha vida o que eu queria era tornar sua pele branca e seu cabelo liso .

"Não temo a morte" - trata-se de uma jovem com 12 anos que foi encaminhada ao Núcleo de atendimento clínico por tratar-se de uma moça em risco de suicídio. O acompanhamento psicológico se daria em caráter preventivo, já que Toninha refere-se ao fato de não ter medo em nenhum sentido da própria morte. Toninha diz temer mais a morte de sua mãe do que a sua. Ela diz que não está triste que gosta de sair com as amigas, de brincar e estudar.

A literatura científica refere-se ao destemor da morte como característico de uma fase do desenvolvimento em que a ideia de finitude não se encontra totalmente definida (Kuczynski, 2014). Ao mesmo tempo, encontramos outro estudo (Cantão & Botti, 2014) que se refere à importância de se conhecer os fatores de risco ao suicídio nessa faixa etária para que se possam tomar medidas preventivas, impedindo assim a concretização do ato. Esse estudo refere-se à vulnerabilidade psíquica própria a faixa etária de 15 a 24 anos segundo os estudos da OMS. No entanto, Cantão e Botti (2014) chamam a atenção em um estudo realizado em Minas Gerais entre 1997 e 2011, em que a frequência significativa de suicídios se deram entre 10 a 19 anos.

Parece que a preocupação com a prevenção levou os profissionais, que realizaram a triagem dessa jovem, a encaminhá-la ao Núcleo de atendimento clínico. Se prestarmos a atenção aos fatores de risco: abuso de substâncias psicoativas pela família e pelo próprio, desestrutura familiar, histórico de tentativas anteriores e violência intrafamiliar; percebemos que a jovem não se enquadraria em um perfil de potencial suicida. Parece que o que valeu foi a lógica de que é melhor prevenir do que remediar. A questão é será que a prevenção desnecessária também não traz danos à pessoa que recebe uma identidade de potencial suicida?

A jovem de 12 anos a que chamaremos de Toninha disse não entender o porquê de ter sido encaminhada para esse tipo de tratamento, afirmando não ter problemas a tratar, ela relata ter amigas e uma família bem próxima e companheira. Diz, ainda, que está preocupada com sua família, eles já são controladores em excesso, agora vão ficar mais ansiosos, isso não vai ser legal, ser vigiada o tempo todo.

A literatura pode nos ajudar a enxergar o que aconteceu. O conto de Grimm sobre João sem Medo (Andersen &Grimm, 2004) retrata a história de um menino que não tinha medo e isso preocupava seus familiares. Foram vários os caminhos que o pai, os irmãos e os amigos de João procuraram a fim de que o menino encontrasse um rumo na vida. Mas, ainda que “aparentemente” isso de nada lhe adiantasse, João queria aprender a temer, ou seja, queria transformar-se. Apesar de inúmeras tentativas, foi na própria existência que o menino, de súbito, estremeceu. Repentinamente, João assusta-se, treme e, então, o espírito desperta do estado de latência em que se encontrava, abre-se a atmosfera da angústia e ele se descobre como possibilidade (liberdade).

A mesma impaciência presente na família de João pode ser identificada na família de Toninha. Era preciso aguardar até que Toninha pudesse se apropriar do sentido da finitude de sua existência.

"Eu quero morrer" – trata-se de uma adolescente de 16 anos diz querer morrer, pois vê muita maldade no mundo e se pergunta: para que viver e ter que assistir tantas maldades. Essa jovem mora em uma comunidade e, a todo o momento, sabe de pessoas que são torturadas pelos traficantes. Conta que aconteceu isso com um amigo seu com quem brincou e cresceu junto. Trata-se de uma situação em que adolescente, que chamaremos de Joaninha, realmente quer dar cabo desua vida, embora não se enquadre totalmente nos fatores de risco.

Essa situação é muito bem retratada no romance Os 13 porquês de Jay Asher (2009) e que ficou bastante conhecido ao ser apresentado como seriado no Brasil. O romance conta a história de uma jovem chamada de Hannah Baker que dá fim a sua vida, alegando que não suportava ter de lidar com a indiferença a dor do outro com que as relações se estabeleciam em uma pequena cidade americana. A obra é bem interessante no sentido que mostra todo o percurso de Hannah até chegar à consumação do ato de pôr fim á vida sem mencionar causas para o suicídio, nem culpabilizar os presentes na vida da protagonista. Uma leitura desatenta até pode levar a concluir que Hannah estava tentando se vingar pelo fato de ter enviado gravações a todos os envolvidos. No entanto, o autor deixa evidências de que não se tratava disso. Podemos afirmar também que a família estava desatenta, por naquele momento estar passando por dificuldades financeiras, no entanto, Hannah, em nenhum momento, refere-se à situação da família como desatenção.

Ao final do romance, a protagonista em conversa com o orientador escolar – última tentativa de Hannah para ser acolhida - ele lhe diz:

- É uma opção, e é disso que estamos falando. Veja bem, uma coisa aconteceu, Hannah. Eu acredito em você, mas se não quer dar queixa e não quer confrontá-lo, você precisa considerar a possibilidade de seguir em frente, deixando isso para trás.

- Deixar isso para trás?

- Ele é da sua classe, Hannah?

- Está no ultimo ano.

- Então vai embora no ano que vem.

- O senhor quer que eu deixe isso para trás. Obrigada Sr. Porter ( Asher, 2009, p.236)

Hannah constata na conversa com o Sr. Porter aquilo que desde um primeiro momento havia experimentado – a indiferença com que as pessoas lidavam com situações que certamente teriam consequências de forma inconsequente. Isso fez Hannah concluir que em um mundo em que o outro não tem a menor importância não vale a pena viver.

Não posso viver sem a minha amada” – trata-se de um adulto jovem de 28 anos que sofre por um amor malogrado. Ele foi ao serviço de urgência para buscar alguém com que pudesse falar sobre sua dor. Tião relata que descobriu que sua namorada é amante de seu pai. Ele diz que a ama muito, mas não consegue suportar o fato de que haja esse relacionamento de sua namorada com seu pai e, também, não consegue aceitar a infidelidade e a deslealdade de ambos. Por amar muito a moça, Tião conversou com a moça a respeito e que estava disposto a perdoa-la, desde que ela rompesse definitivamente com seu pai. Ele falou muito da questão, no entanto, não se referiu a suicídio. A equipe concluiu que se tratava de uma mera dor de cotovelo. E o rapaz apresentava apenas um fator de risco dentre os fatores de risco próprios a sua faixa etária (WHO, 2000/2008):

Consumo e/ou uso abusivo de álcool e outras substâncias psicoativas; problemas familiares ou parentais; transtornos mentais severos; enfermidades terminais; impulsividade; não possuir parentes e/ou vínculos sociais; rompimento de relações interpessoais significativas; problemas financeiros; histórico familiar de suicídio; abuso na infância; tentativas prévias e ideação suicida; isolamento social; perdas afetivas, transtornos mentais severos, principalmente os transtornos depressivos e doenças terminais; bem como varáveis demográficas e socioeconômicas.

E por não estar incluído no grupo de risco, o jovem adulto não foi encaminhado ao Núcleo de atendimento clínico. Aconteceu que logo que o rapaz saiu da consulta, lançou-se do 12º andar. Aconteceu com esse rapaz algo que a ciência não consegue prever, mas a literatura consegue mostrar como uma experiência possível. Goethe (1821/2006) retrata o sofrimento do Jovem Werther por uma relação amorosa malograda. Werther por não conseguir consumar seu amor por Eleonora e, tomado pela paixão que o consome, põe fim a sua vida.

Considerações finais

Com as considerações sobre aquilo que se encontra em questão nas situações de tentativas de suicídio, pudemos acompanhar que se trata de um tema sobre o qual ainda temos muito a esclarecer. Vimos que tanto superestimar os fatores de risco como subestimá-los é problemático, nos dois casos há o perigo de trazer prejuízos àquele que vai a busca de acompanhamento psicológico.

Vimos também que os estudos científicos têm muito a nos dizer, no entanto, ainda mostram insuficiência na compreensão do fenômeno em sua totalidade. Além do que muitas vezes, esses estudos nos conduzem a equívocos. Dado que o suicídio é uma questão complexa e de difícil compreensão ou, talvez seja da ordem do inabarcável tanto quanto o próprio existir, é que precisamos buscar mais interlocuções com aqueles saberes que lidam com o inabarcável de modo totalmente diverso: a filosofia e a literatura. A primeira nos ajuda no exercício do pensamento, a segunda nos auxilia a ver a experiência nela mesma sem preconceitos, estereótipos ou julgamentos morais.

Outra questão que se apresenta é sobre a possibilidade de articular um modo de pensar o suicídio sem as noções de risco e não risco, que sustentam a ideia de causalidade e prevenção e que ainda guardam as dicotomias das teses naturalistas. Seria possível, então, articular um modo de pensar o suicídio sem as noções de causalidade e prevenção? É possível resguardar uma posição não moralizante para poder sustentar uma atuação em que o modo de estar junto ao outro resguarde a relação em um acolhimento atento e não tutelar e/ou controlador? E ainda: como poder sair das noções moralizantes, de não buscar um perfil do suicida e não adotar posturas preventivas sem sermos acusados de indiferentes e de estarmos fazendo uma apologia ao suicídio?

Para conquistar um lugar não moralizante frente ao suicídio é que nos mantivemos em diálogo constante com a filosofia e a literatura, que desde a antiguidade até a atualidade abordam o suicídio como a principal questão sobre a qual os filósofos deveriam se debruçar (Hume, 1988; Camus, 2008; Foucault, 1982) e tratam a questão como algo da ordem do sensível, logo tomando a previsibilidade e o controle como algo que não pode sustentar a questão até suas últimas consequências.

Com este estudo, pudemos acompanhar de que modo assumimos uma atitude antinatural nos atendimentos clínicos com pessoas que pensam em finalizar suas vidas. Nos atendimentos clínicos, vimos que as pessoas se referiam a diferentes motivações para cometer ou evitar o ato: preocupações com as repercussões que tal atitude traria aqueles que elas amavam; ao fato de que suas vidas não valiam a pena, uma vez que não serviam para nada; à recordação de experiências passadas como fonte de frustração. Tais expressões estão intimamente relacionadas com o modo como se articulam sentidos em nosso mundo: os estigmas que circundam os familiares do suicida; à ideia de que o homem é um recurso a ser explorado e como tal deve ser produtivo; e à ideia de que a vida não deve comportar frustrações ‒ se assim acontecer, ela deve ser passada a limpo. Por fim, a experiência explicitada por aqueles que se encontram indecisos frente ao pôr fim à vida mostrou-se em seu sentido existencial como um exercício da liberdade humana. Isso pôde aparecer na medida em que nos esquivamos da atitude natural que posiciona o suicídio por meio de patologizações, estereotipias ou recriminações. Enxergamos que pensar em viver ou em morrer são possibilidades sempre presentes na existência.

Na modalidade clinica em uma perspectivafenomenológica-hermenêutica defendemos esse exercício como caminho do pensamento. E, nesse percurso, pudemos esclarecer a possibilidade de resguardar uma posição sem premissas, não moralizante, não causal, sustentando uma atuação clínica em que a prevenção aconteça em um caráter de acolhimento atento e respeito e não de tutela e/ou controle.

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1 Pesquisa intitulada Por um núcleo de atendimento clínico a pessoas em risco de suicídio: uma análise fenomenológica do ato de decidir pôr fim à vida, que vem sendo desenvolvida na Universidade do estado do Rio de Janeiro desde 2016, sob a coordenação da Prof. Ana Maria Lopez Calvo de Feijoo – com o apoio CNPQ